Mais forte que a ventania
Vieste com a maresia
Amor sem berço nem fim
Foste o mar e o veleiro
Muito mais que um mundo inteiro
Ficaste ancorado em mim
Nem tormentos nem naufrágios
Nem os mais negros presságios
Mudam as cores deste mar
Só eu conheço os segredos
Só eu navego sem medos
Nas águas do teu olhar
Gaivotas de voo rasante
Vão trazendo a cada instante
Noticias de outras marés
Que me importam outras ilhas
Se eu descobri maravilhas
No fundo do meu convés
Kátia Guerreiro
Thursday, February 19
Sunday, February 15
Flowers - Wendy Cope
Some men never think of it.
You did. You'd come along
And say you'd nearly brought me flowers
But something had gone wrong.
The shop was closed. Or you had doubts -
The sort that minds like ours
Dream up incessantly. You thought
I might not want your flowers.
It made me smile and hug you then.
Now I can only smile.
But, look, the flowers you nearly bought
Have lasted all this while.
Do Fragmentos
You did. You'd come along
And say you'd nearly brought me flowers
But something had gone wrong.
The shop was closed. Or you had doubts -
The sort that minds like ours
Dream up incessantly. You thought
I might not want your flowers.
It made me smile and hug you then.
Now I can only smile.
But, look, the flowers you nearly bought
Have lasted all this while.
Do Fragmentos
Tuesday, February 10
Le Tapis
L'enfant avait placé une vaste caisse au milieu de la chambre et, depuis quelques heures déjà, il naviguait ainsi, brassant le vide, dévisageant l'horizon enfui dans le mur, le tapis figurant l'océan, la caisse un voilier de fort tonnage.
Vers six heures, comme chaque soir à cette heure, le père rentra du travail.
Il pénétra dans le salon, il eut le temps de désapprouver l'idée de son fils, il atteignit à cet instant le tapis, coula à pic et se noya.
Jacques Sternberg, Contes Glacés (1974)
Vers six heures, comme chaque soir à cette heure, le père rentra du travail.
Il pénétra dans le salon, il eut le temps de désapprouver l'idée de son fils, il atteignit à cet instant le tapis, coula à pic et se noya.
Jacques Sternberg, Contes Glacés (1974)
Tuesday, February 3

Benjamin Button: Along the way you bump into people who make a dent on your life. Some people get struck by lightning. Some are born to sit by a river. Some have an ear for music. Some are artists. Some swim the English Channel. Some know buttons. Some know Shakespeare. Some are mothers. And some people can dance.
Sunday, February 1
Até ao sabugo
Quem sabe se mais úteis, mais urgentes.
Deste, cá, não mudou a natureza,
Suspensa entre duas negações.
Agora, inventar arte e maneira
De juntar o acaso e a certeza,
Leve nisso, ou não leve, a vida inteira.
Assim como quem rói as unhas rentes.
José Saramago, Os Poemas Possíveis
Friday, January 30
Ciranda
Do Nocturno com gatos chegou-me uma ciranda irresistível, a que me junto em passos de dança.
As regras são:
- Agarrar o livro mais próximo: Venenos de Deus Remédios do Diabo, de Mia Couto.
- Abrir na página 161;
- Transcrever a quinta frase completa.
Não resisto, contudo, a trancrever algumas frases antes desta, e algumas depois.
"A esposa lhe falara, logo pela manhã, do rumor que corria pela Vida: Suacelência tinha sido demitido do cargo. Sem razão, nem motivo nem explicação. A medida fora tomada enquanto o Administrador recebia tratamento na cidade.
- Queria saborear a novidade na rua, festejar os últimos acontecimentos. Vou celebrar esse sacana do Suacelência todo despoleirado."
Passo agora a cinco pessoas. Sem compromisso, para quando quiserem e tiverem por acaso um livro de mais de 161 páginas em cima da mesinha-de-cabeceira:
Boas cirandas
Thursday, January 29
Friday, January 23

Quando eu morrer, eu sei, tu escreverás
Triste soneto à morte prematura;
Dirás que a vida cansa em amargura
E, pálido e frio, tu me cantarás.
Nas quadras, reflectido se lerá
De como, vã e breve, a vida expira
E como em terra funda, dura e fria,
A vida, má ou boa, acabará.
A seguir, nos tercetos, tu dirás
Que a morte é mistério, tudo fugaz,
Verdadeira, talvez, a vida além.
Por fim porás a data, assinarás.
E, relido o soneto,
ficarás Contente por tê-lo escrito bem.
Alexander Search (tradução desconhecida)
Monday, January 19
Tuesday, January 13
XXVI de la Partage Formel
Mourir, ce n'est jamais que contraindre sa conscience, au moment même où elle s'abolit, à prendre congé de quelques quartiers physiques actifs ou somnolents d'un corps qui nous fut passablement étranger puisque sa connaissance ne nous vint qu'au travers d'expédients mesquins et sporadiques.
René Char, Fureur et Mystère
Morrer nunca é mais do que constranger a consciência, no preciso momento em que ela se extingue, do que meter férias de alguns quarteirões físicos activos ou sonolentos de um corpo que nos foi sofrivelmente estrangeiro, visto que o seu conhecimento não nos chegou senão através de expedientes mesquinhos e esporádicos.
(Tradução do Outro Lado da Lua)
Monday, January 12
Friday, January 9
Tuesday, January 6
You're
Clownlike, happiest on your hands,
Feet to the stars, and moon-skulled,
Gilled like a fish. A common-sense
Thumbs-down on the dodo's mode.
Wrapped up in yourself like a spool,
Trawling your dark, as owls do.
Mute as a turnip from the Fourth
Of July to All Fools' Day,
O high-riser, my little loaf.
Vague as fog and looked for like mail.
Farther off than Australia.
Bent-backed Atlas, our traveled prawn.
Snug as a bud and at home
Like a sprat in a pickle jug.
A creel of eels, all ripples.
Jumpy as a Mexican bean.
Right, like a well-done sum.
A clean slate, with your own face on.
Sylvia Plath, Ariel
Feet to the stars, and moon-skulled,
Gilled like a fish. A common-sense
Thumbs-down on the dodo's mode.
Wrapped up in yourself like a spool,
Trawling your dark, as owls do.
Mute as a turnip from the Fourth
Of July to All Fools' Day,
O high-riser, my little loaf.
Vague as fog and looked for like mail.
Farther off than Australia.
Bent-backed Atlas, our traveled prawn.
Snug as a bud and at home
Like a sprat in a pickle jug.
A creel of eels, all ripples.
Jumpy as a Mexican bean.
Right, like a well-done sum.
A clean slate, with your own face on.
Sylvia Plath, Ariel
Thursday, January 1
Canção de Alterne - Rui Veloso e Nancy
Pára de chorar
E dizer que nunca mais vais ser feliz
Não há ninguém a conspirar
Para fazer destinos
Negros de raiz
Pára de chorar
Não ligues a quem diz
Que há nos astros o poder
De marcar alguém
Só por prazer
Por isso pára de chorar
Carrega no batom
Abusa do verniz
Põe os pontos nos Is
Nem Deus tem o dom
De escolher quem vai ser feliz
(Para Anouk)
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