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Tuesday, August 27

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Thursday, August 15

Não me peçam razões

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos...
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

In "Os Poemas Possíveis" 
Editorial Caminho

José Saramago 
(1922-2010)

Wednesday, August 7

Tuesday, April 30

Com as mãos (25 de abril todos os dias)

Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema ─ e são de terra.
Com mãos se faz a guerra ─ e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O canto e as armas

Sunday, April 21

Façamos um soneto

Façamos um soneto, tu e eu.
Será a tua parte nele escassa.
Já que partiste, és parte do que passa,
De tudo o que foi já e se perdeu.
Façamos dessa fuga a sua arte,
Em busto, um monumento ao momento,
Qualquer coisa de gesso, de cimento,
Porque não de amarante, que não parte?
Sejamos criativos, ó nictémera;
Afinal, nada tenho contra ti.
(...)

Daniel Jonas, Oblívio

Sunday, February 17

Thursday, January 31

Do amoroso esquecimento

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mário Quintana

Thursday, October 18

Que las hay

"(...)Sabe que a vida há-de ser
apenas um subúrbio da alegria,
a necessária tralha fútil, o alarde,
coisas de emprestar e devolver."

Miguel Mochila

Friday, October 5

Love Poem to No-One in Particular

let me touch you with my words
for my hands lie limp as empty gloves
let my words stroke your hair
slide down your back
and tickle your belly
for my hands, light and free-flying as bricks
ignore my wishes and stubbornly refuse to carry out my quietest desires
let my words enter your mind
bearing torches
admit them willingly into your being
so they may caress you gently
within

Mark O'Brien

Thursday, August 23

Gato



Que fazes por aqui, ó gato? 
Que ambiguidade vens explorar? 
Senhor de ti, avanças, cauto, 
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto, 
ó gato, pesadelo lento e lesto, 
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada? 
Qual o crime de que foste testemunha? 
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara? 
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos, 
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O’Neill

Saturday, February 3

Vozes

Vozes imaginárias e amadas
daqueles que morreram ou daqueles que estão,
como os mortos, perdidos para nós.
Às vezes falam-nos em sonhos;
às vezes na sua fantasia as ouve o pensamento.
E, com seu som, retornam por um instante
ecos da poesia primeira da nossa vida -
como música que, na noite, se extingue ao longe.

Konstantinos Kaváfis, 145 Poemas, tradução de Manuel Resende, Flop Editora, 2017

Sunday, December 17

Soneto II

Amor, cuántos caminos hasta llegar a un beso,
qué soledad errante hasta tu compañía!
Siguen los trenes solos rodando con la lluvia.
En Taltal no amanece aún la primavera.

Pero tú y yo, amor mío, estamos juntos,
juntos desde la ropa a las raíces,
juntos de otoño, de agua, de caderas,
hasta ser sólo tú, sólo yo juntos.

Pensar que costó tantas piedras que lleva el río,
la desembocadura del agua de Boroa,
pensar que separados por trenes y naciones

tú y yo teníamos que simplemente amarnos,
con todos confundidos, con hombres y mujeres,
con la tierra que implanta y educa los claveles.

Pablo Neruda

Wednesday, November 29

My interpretation

"Does it really matter?
If half of what you said is true
And half of what I didn't do could be different
Would it make it better?
If we forget the things we know
Would we have somewhere to go?
The only way is down, I can see that now

'Cause I don't care if I ever talk to you again
This is not about emotion
I don't need a reason not to care what you say
Or what happened in the end
This is my interpretation
And it don't, don't make sense"

Mika

Saturday, October 14

Soneto prático

quando não há mais qualquer coisa após
o que vivemos juntos, a não ser
o fim, com a tragédia de sabê-lo
fim, e a certeza da dor, atroz,

quando você e eu formamos nós
e nossos nós não podem desatar-se,
antes que os nós acabem por cegar-se
e de berrar percamos nossa voz,

por mais que doa e que nos caia o céu
sobre os olhos abertos, e os meus
rasguem-se de dor e feito papel

chovam corpos picados sobre os seus,
por amor mesmo, e para ser fiel,
é preciso saber dizer adeus.

Gregório Duvivier

Wednesday, September 27

"Um dos poemas de Walt Whitman que gostaria de ter escrito diz assim:

«Creio que uma folha de erva não vale menos do que a jornada das estrelas,/ E que a formiga não é menos perfeita, nem um grão de areia, nem um ovo de carriça,/ E que o sapo é uma obra prima para o mais exigente,/[…]E que a vaca ruminando com a cabeça baixa supera qualquer estátua,/E que um rato é milagre suficiente para fazer vacilar milhões de infiéis.»"

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira)
25.09.11

Wednesday, September 13

Thursday, August 31



"O amanhã é amanhã um novo dia 
Onde te vejo sempre do meu lado 
Por ti mudava o mundo e repetia 
A aventura que canto neste fado"

Kátia Guerreiro

Tuesday, August 22

Que guardarão de mim as casas que
deixei? O pó sobre o meu nome?

Maria do Rosário Pedreira